Resenha: Fuja, Coelhinho, Fuja – Barbara Mitchelhill

Em 01.02.2016   Categoria: Resenhas

Fuja, Coelhinho, Fuja Apesar da capa toda desenhada, um título um tanto quanto infantil e por ser narrado por uma criança de 11 anos, a história desse livro é extremamente adulta, madura e sofrida. Narrado por Lizzie, o livro nos mostra, baseado em fatos reais, parte do terror da Segunda Guerra Mundial e como as crianças são impostas a entender tudo o que está acontecendo e, com isso, amadurecer rapidamente.

Lizzie passa a viver com seu irmão mais novo, Freddie e seu pai, William, após a loja de sua mãe ter sido bombardeada acidentalmente pelos alemães na cidade de Rochdale, Inglaterra, e matá-la. Por questões ideológicas agravadas após esse acidente, William decide que não irá para a guerra, tornando-se um pacifista procurado pela polícia. A única maneira de ficar junto a seus filhos (e não ir para a prisão), é fugindo – exatamente o que eles fazem durante uma madrugada e vão parar em Whiteway, para morar com um amigo, Arthur.

William procura trabalhos temporários para se manter na cidade e alerta Lizzie e Freddie para não saírem muito da casa, para não levantarem suspeitas e acabarem sendo denunciados para a polícia. Sendo assim, os dois têm aulas particulares e não fazem muitas amizades, mas têm o conforto de estarem todos juntos… Por um tempo.

Quando tudo estava se ajeitando, Lizzie estava com uma boa amizade com Bernardo, eles precisam fugir novamente. Com a ajuda da mãe de Bernardo e professora de Freddie, eles acabam chegando a uma fazenda em que o dono conseguiria um trabalho para William em troca de estadia. Mas não é nenhum mar de rosas para nenhum dos três: todos recebem atividades, até mesmo Freddie e são maltratados pelo senhorio – apesar da esposa deste tentar amenizar as coisas, quem tem a última palavra é sempre ele.

Além de todos esses empecilhos, tem um ainda maior que é o rigoroso inverno do Reino Unido – as atividades realizadas ao lado de fora da fazenda se tornam mais complexas e quaisquer fugas se tornam impossíveis ou demoradas. William não tem muitas alternativas e acaba aceitando ficar um bom tempo na fazenda, sempre com o consolo de que está junto a seus filhos e não atrás das grades. É claro que nem tudo é suportável e eles acabam fugindo novamente, tentando procurar um lugar melhor (ou menos pior) para ficar.

A Guerra continua acontecendo enquanto eles ficam para lá e para cá e é por isso que William está sempre sendo procurado pela polícia – eles ainda precisam dele e ele continua se recusando… É incrível ver o que um pai está disposto a passar para ficar junto de seus filhos e protegê-los, mas não é nada fácil ler isso através das percepções de sua filha – que, apesar da pouca idade, tem grandes responsabilidades e é bem madura – sabendo no fundo que tem sempre que proteger o seu irmão, aconteça o que acontecer.

A história segue na linha de fugas, dificuldades, compaixão e fraternidade e é bela do início ao fim, apesar dos terrores constantes. A autora conseguiu descrever muito bem todos os sentimentos da época através de uma criança, sem deixá-la infantil. A diagramação e ilustrações completam a história de forma magnífica e limpa – além da canção “Fuja, Coelhinho, Fuja” ser a trilha sonora das fugas das personagens, cantada por Freedie.

Fuja, Coelhinho, Fuja – Run Rabbit Run
Páginas: 236 Editora: Biruta Nota: ★★★★☆

Aviso legal: Livro participante do Book Tour organizado pela Editora Biruta.