Resenha: Morada das Lembranças – Daniella Bauer

Em 03.07.2015   Categoria: Resenhas

moradadaslembrancas Recebi da Editora Biruta o livro premiado da Daniella Bauer para conhecer essa incrível história.

Em Morada das Lembranças nos deparamos com uma história muito rica em detalhes e dramas. Conhecemos a avó de uma garota, que inicia o livro contando à sua neta como foi a fuga da família da Russia para o Brasil durante a Revolução Russa e todas as dificuldades que eles tiveram que enfrentar naquela época. Ela já está no fim da vida, mas conseguimos notar o afeto e carinho que ela tem pela sua neta, que são recíprocos.

A história tem início na fuga dela, de sua mãe e seu irmão da Rússia após o assassinato do pai para a Polônia, que é apenas uma escala. A descrição dessa fuga é extremamente delicada e tensa, com a garota escondida nas pernas de sua mãe enquanto seu irmão fica no conforto do colo dela. Acontece que ela só poderia levar uma das crianças legalmente, então a menina teve que se submeter ao desconforto para chegar ao destino deles.

Na Polônia eles encontram-se com um amigo de família, Alexei e são levados à casa dele para descansarem um pouco, já que em breve deveriam pegar um navio para continuarem sua fuga e mudança de vida: eles iriam para o Rio de Janeiro, no Brasil.

O capítulo da Travessia é o que mais se arrastou para mim, demorei um pouco para conseguir finalizá-lo por ser um pouco lento e sem grandes ações, porém é muito importante para o restante da história. É nele que os três são submetidos a terem forças para continuar vivendo e prosperando para chegarem ao novo país inteiros e com vontade de iniciar uma nova vida. Chegando no Rio, a garota fica encantada com o que vê: a praia, as pessoas, o céu, tudo! Quem os acolhe é a avó dela, Pérola, que está morando lá há alguns bons anos.

Mas nem tudo são flores… Primeiramente eles precisam se desfazer de suas identidades e, finalmente, acabam ganhando nomes: a garota vira Maria e o irmão Benjamin. Os nomes “originais” não são citados em momento algum, segundo “Maria”, isso é insignificante e acabamos sem saber como eles eram chamados em sua terra natal. Somente a mãe, Mahena, é mencionada, mas não sabemos se é o nome original ou o novo brasileiro… De qualquer forma, Maria não gostou muito do nome que lhe foi atribuído, mas aprendeu a conviver com ele, já que agora poderiam pronunciá-lo na nova língua que ela teria que aprender, o português.

A convivência com sua avó não foi nada fácil. Ela não estava nem um pouco contente com a chegada da filha e dos netos e fazia questão de transparecer sua infelicidade. Arranjou para eles um quarto no fundo da casa e fazia com que a filha e a neta a ajudassem com os serviços de casa. É quando Mahena começa a adoecer que as coisas começam a piorar. Maria tem que cuidar da casa e do irmão e ainda aguentar a avó dizendo que ela deveria ir à escola ao invés de cuidar da sua mãe. Mas como ela poderia deixar a ´pessoa mais importante para ela adoecendo em uma cama e ir aprender novas coisas? Ela queria passar o máximo de tempo possível com a mãe, pois não sabia até quando a teria ali.

A história não é nem um pouco leve e é bem dramática. Os acontecimentos no Brasil são ora revoltantes, ora gloriosos. A evolução e amadurecimento de Maria do início ao final do livro é nítido e muito interessante. Uma criança que viu o pai ser assassinado, a mãe adoecer e o irmão crescer sem se lembrar das fases mais tensas de suas vidas, consegue crescer e ser o melhor para si mesma. Um livro cheio de angústias, mas com muita esperança e lições para trazermos à vida real.

Confesso que não é uma leitura para todos, eu mesma demorei um bom tempo para conseguir finalizá-lo, mas é uma história muito interessante e, para quem gosta de períodos de guerra ou sobre adaptações em ambientes diferentes, irá gostar muito do que Daniella nos trouxe!

Morada das Lembranças
Páginas: 200 Editora: Biruta Nota: ★★★★☆

Aviso legal: Livro concedido pela editora para resenha.


  • Babi Lorentz

    Em 03.07.2015

    Pela sua resenha, tenho certeza que se eu pegasse o livro pra ler, também demoraria, mas ia acabar gostando de tudo final. Ultimamente é esse o tipo de livro que tem sido mais interessante pra mim, já que me leva a pensar melhor sobre tudo de uma forma que outros tipos de literatura não fazem…
    Valeu pela dica, Juh!
    Beijo

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    Juh Claro:

    Acho que você adoraria, Babs! De verdade… Mesmo que o gênero dele seja meio drama e tal, eu acho que a Dani poderia ter colocado um pouquinho mais de ação, talvez, assim, teria me prendido mais!

    Beijo <3

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