Resenha: O Livro de Julieta – Cristina Sánchez-Andrade

Em 05.02.2013   Categoria: Resenhas

O Livro de Julieta – El libro de Julieta
Autora: Cristina Sánchez-Andrade
Editora: Paralela
Páginas: 149
Nota: ★★★★☆

Sinopse: “Um biquíni novo, um passeio de mãos dadas com os irmãos, uma piscina de bolinhas, a chuva, a rotina. Para Julieta, a felicidade é isso. Já para sua mãe, a jornalista espanhola Cristina Sánchez-Andrade, a felicidade é algo um pouco mais complicado, principalmente depois que sua filha foi diagnosticada com síndrome de Down. “Ela vai te fazer companhia a vida inteira”, “É um presente de Deus”, “Você é forte, vai superar” — é tudo o que tem ouvido desde então. Através de memórias, bilhetes, cartas, diálogos e impressões, este livro narra a história real de Cristina e sua filha, uma história de atividades, de trabalho, de cobrança, de médicos, mas também de amor, de carinho, de brincadeiras, de beijos. É a história do cotidiano de uma família e de uma criança muito especial, que é impossível não amar — mesmo quando ela insiste em fazer xixi nas calças todos os dias ou toma detergente enquanto ninguém está olhando.”
 
No Skoob.

 

Uma mãe que ama sua filha acima de tudo e todos, mas que demorou um tempo para digerir que ela era diferente e ao mesmo tempo igual aos seus outros filhos e crianças, tenta relatar em forma de um quase-diário o que é conviver com uma criança com síndrome de Down.

Em O Livro de Julieta, Cristina nos conta em forma de anotações, lembranças e fatos importantes da vida dela com sua terceira filha, Julieta. Julieta nasceu no dia 27 de março de 2003 e tem síndrome de Down, o que deixou Cristina “com medo”, porque não tinha ideia de como conviveria com uma criança especial e nem o que os outros diriam.

Cristina não comenta somente sobre as coisas boas que passa com Julieta, mas principalmente as dificuldades e não esconde em momento nenhum o que passa na sua cabeça: ora ódio, indignação, injustiça, ora felicidade, amor e compaixão. Não é fácil ter uma filha com síndrome de Down e é mais difícil ainda quando a sociedade não aceita essa “diferença” e sente pena tanto da mãe, quanto dos irmãos. Cristina se vê revoltada em uma das passagens do livro, quando vai ao médico e ele trata Julieta como “essas crianças” ou quando o padre diz que “O que aconteceu com essa menina, só acontece com gente boa como a senhora.”.

A maioria dos capítulos é curta, o que ajudou a fluir a leitura, além de querer saber o que Julieta tinha aprontado na última consulta com o médico ou o que ela tinha escolhido para vestir assim que chegou da escola. Cristina conta de uma forma carinhosa sobre os medos e dificuldades que passou – e ainda passa, com Julieta, mas também mostra o outro lado, o lado de mãe, do amor e ternura.

“Quando vê um guarda-chuva aberto (se estiver fechado, não tem problema) ela se atira no chão. Nunca apagou as velas do seu bolo de aniversário por medo do fogo. Pode pegar uma vespa ou aranha com as mãos, mas tem medo de chihuahuas.”

Página 73.

Me conectei facilmente com a história e me peguei rindo e chorando junto com Cristina a cada passagem do livro, a cada anotação que sua filha Bárbara, fazia, sobre sua irmã. Além de Bárbara, Julieta tem uma “ídola”, sua irmã mais nova, Inés. Ela quer sempre vestir as roupas de Inés, quer brincar com ela, quer rir com ela, e Inés tem uma paixão enorme por sua irmã também – Cristina só não sabe se ela continuará assim quando crescer e perceber que Julieta tem síndrome de Down – mas, eu, particularmente acredito que isso não acontecerá, porque as duas realmente se amam e crianças não escondem seus sentimentos.

É um livro delicado, mas tocante e que nos faz repensar sobre o que a sociedade coloca na nossa cabeça. Todas as crianças são especiais, todas tem o direito de sorrir e de chorar, de gostar de um maiô da Hello Kitty e de ter medo de cachorros, não é uma doença que vai fazê-la diferente das demais só porque ela não é “perfeitinha”.

PS: A capa desse livro foi o que me fez querê-lo e não me arrependo, porque a capa é tão linda quanto a história.


  • Steh

    Em 05.02.2013

    Você acabou de me ajudar me dando sem querer uma sugestão de presente haha. Eu quero muito ler nascido em um dia azul, mas é impossível achar esse livro :( pelo menos na internet eu não achei uma loja se quer que estivesse vendendo.

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  • Babi Lorentz

    Em 05.02.2013

    Que resenha mais linda, Juh! Você me deixou com vontade de conhecer a história. É real ou não? Porque parece ser uma biografia, um relato do dia a dia e tal e isso me chama muito a atenção. Vou anotar o nome do livro e ler quando puder. Gostei muito mesmo do que vi na sua resenha.
    Beijos.

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    Juh Claro:

    É real sim, Babi! Isso que tornou o livro mais especial ainda <3

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  • Jeh Asato

    Em 05.02.2013

    Vi essa resenha no blog da Bia e achei muito bacana! Como disse à ela, nunca parei pra pensar nas reais dificuldades de criar uma criança com síndrome de down. E pela resenha dá pra imaginar que não é fácil. Fiquei com um nó na garganta quando soube que a Cris nunca assoprou suas velinhas de aniversário. Uma coisa tão simples para nós mas que para outros é uma montanha a ser vencida, né?
    :x

    Adorei a resenha! Beijos!

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  • Kelry Caroline

    Em 05.02.2013

    É uma historia muito cheia de emoções e uma questão de ser forte. Eu gostei.

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  • Flavinha

    Em 05.02.2013

    Oi Juh!

    Também comprei esse livro pela capa e gostei muito dele, a única coisa que me incomodou um pouco, foi que a Cristina parece estar com raiva o tempo inteiro, sempre reclamando, sempre indignada, enfim, se não fosse por essa impressão que eu tive, eu teria dado 5 estrelas pra ele. Achei lindas as fotos da Julieta no final.

    Beijinhos

    http://www.chatadoslivros.blogspot.com.br

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  • Camille

    Em 05.02.2013

    Fiquei curiosa pelo livro. Eu já conhecia mas, sinceramente, não tenha tido real interesse em ler. Parecia legal, mas só. Entende? E, claro, como você a capa dele foi a primeira coisa que me chamou atenção. Mas gostei do que você resenhou. Parece muito sensível. Gostei!

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  • Gabi

    Em 05.02.2013

    Juh, é justamente a capa que me faz desejá-lo também. Fiquei com medo de ler a sua resenha, inicialmente. “Vai que a Juh não gostou, aí eu vou ficar com raiva de uma capa tão linda com uma história ruim!” Mas fiquei bem contente em saber que a história flui, que ela te faz rir e chorar, e que te prende. Com certeza será uma das próximas aquisições porque gosto de temas que abordam questões de crianças “diferentes” – como você viu na minha resenha de Extraordinário, hehe ;)
    Beijos.

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  • Nathália Fanti

    Em 05.02.2013

    Realmente a capa é linda, também me encantei com ela. Ah, quero ler ele… haha’ acho que porque nunca li nada assim e também porque acho que vou amar….

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