Resenha: Odisseia Olímpica – Luiz Antonio Aguiar

Em 11.08.2016   Categoria: Resenhas

Odisseia Olimpíca Já que estamos em clima olímpico, nada melhor do que uma resenha exatamente sobre as Olimpíadas, não é? Eu sei que tem muita gente contra a organização do evento, assim como eu, mas agora que já está tudo pronto ou deveria, né, nos resta acompanhar as modalidades preferidas e torcer pelo nosso país ou para aqueles atletas que gostamos mais (Usain Bolt, tô contigo!).

Eu não tenho muito conhecimento sobre as Olimpíadas a não ser que elas nasceram na Grécia e existem várias teorias sobre as primeiras disputas, intervenções de deuses e etc; foi por isso que solicitei este livro à Editora Biruta. Afinal, eu gosto muito de esportes e mitologia grega – além de gostar muito dos livros da Biruta – e imaginei que gostaria muito da história.

Dito e feito! Odisseia Olímpica conta sobre o início da Olimpíadas antes mesmo delas serem Olimpíadas de uma forma completa: recheada de ilustrações, textos parafraseados, notas de rodapé e explicações de toda a loucura da mitologia grega (e sua relação com a mitologia romana). Existem diversos registros sobre os primeiros jogos, cada um contado por uma pessoa diferente e sem muita certeza de qual é o mais próximo do real, mas Luiz traz um pouquinho de cada um desses contos para nos situarmos nesses tempos antigos.

Vemos registros dos romances de Zeus para tentarmos entender tudo que ele aprontou tanto na Terra quanto no Olimpo e conhecermos seus filhos, detalhes sobre Hércules, sobre a “construção” de Olímpia, sobre a importância dos jogos na Grécia (até as guerras eram cessadas na época dos jogos!) e o nascimento de cada um dos esportes que, é claro, sofreram mudanças e adaptações, mas que têm uma boa raiz das primeiras edições dos Jogos.

Os primeiros Jogos Olímpicos da chamada “Era Moderna” foram realizados em Atenas em 1896 com a participação de Grécia, Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Hungria, Áustria, Austrália, Dinamarca, Suíça, Egito, Suécia e Chile e, apesar de alguns despreparos e obstáculos, acabaram sendo um sucesso. A próxima edição foi em 1900 em Paris; sempre seguindo a tradição de realiza-los de 4 em 4 anos, como na “Era Antiga”.

A partir daí, Luiz faz um compilado de acontecimentos de todas as 30 edições dos Jogos com os principais destaques. Ele também explica sobre a bandeira e o símbolo mais famoso de todos, os mascotes, o juramento, como foi criado o comitê olímpico, sobre a tocha e a pira olímpica e tudo mais. É realmente uma enciclopédia sobre Olimpíadas!

É claro que não dá pra falar de um livro da Biruta sem mencionar todo o capricho e beleza da obra. Ilustrado por Jorge Guidacci, as imagens dão vida ao que é relatado e torna a obra ainda mais linda. A diagramação é super diferente e divertida, sempre destacando alguns fatos importantes sem deixar nenhuma ponta solta ou alguma personagem sem explicação do que significa e no que esta influencia. É um dos livros mais bonitos que já li da editora (acho que fica atrás apenas de A Maravilhosa Terra de Oz.

Se você ficou interessado pelo livro, você pode adquiri-lo diretamente na loja oficial da Biruta e da Gaivota! Aproveite também o desconto de 30% utilizando o cupom OLIMPIADAS até o dia 21/08!

Odisseia Olímpica
Páginas: 164 Editora: Biruta Nota: ★★★★★

Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora como cortesia para o blog.


Resenha: Lis no Peito – Jorge Miguel Marinho

Em 13.06.2016   Categoria: Resenhas

lis no peitoLis no Peito: Um livro que pede perdão. Título e subtítulo. A melhor forma que o autor encontrou para explicar todo o seu livro em apenas uma frase. Porque é exatamente isso o que Lis no Peito faz: pede perdão. A mim, a você, ao próprio personagem.

Marco César, apaixonado por Clarice, comete um crime e pede para que um amigo seu, escritor, escreva a história para que ele consiga entender se é ou não culpado por isso. Sabemos logo de cara que é isso que o livro vai nos mostrar, mas não sabemos o que Marco César fez, nem o motivo pelo qual ele o fez. Sabemos apenas que ele perde perdão e que o livro também o faz.

Marco César sabe que um perdão pode condenar muito mais uma pessoa porque não se varre a culpa com um castigo, e o crime fica solto e pesado como dor sem ressalva, delito da nossa própria conta, pena e até mesmo danação voluntária.

Com várias referências à Clarice Lispector, Jorge Miguel Marinho construiu uma história sobre um amor, sobre um beijo e, principalmente, sobre um perdão que pode ser que venha ou não – isso vai depender de quem estiver lendo. E acredito que é exatamente por este motivo que ele é fácil e gostoso de ler. Simples, para ser lido com uma atenção distraída e sem julgamentos, deixando-se envolver pela leitura a cada página virada.

Achei muito interessante a forma que o autor colocou a Clarice (Lispector) como uma personagem de seu livro. Ela não é apenas citada pelo motivo de Clarice gostar de seus livros. Ela é citada no título, ela é presente na história e tem toda uma importância para que o livro seja o que realmente é.

Um dia a Clarice Lispector perguntou para o Chico Buarque o que era o amor. “Não sei”, ele respondeu, “e você, Clarice?”. “Nem eu”, ela disse e eu entendi como você possivelmente deve estar entendendo, que amar a gente pode sempre, amar não acaba nunca, é a maior vocação de qualquer pessoa e é por isso mesmo que o amor apenas existe e nada mais se pode dizer, existe e só.

Tudo sempre é voltado para algo que ela (Lispector) viveu ou escreveu e é super interessante ver como a história de Marco César e Clarice vão se envolvendo com Clarice Lispector. Isso faz com que o leitor de Lis no Peito fique um pouco curioso quanto a obra dela. Pelo menos me deixou desta forma.

Lis no Peito é um livro com o qual você precisa se envolver, mesmo com o pedido do autor logo no primeiro capítulo, para lermos distraidamente. Ele é incrível o suficiente para você não querer se sentir distraído em momento algum. Leitura de um dia. Perfeito pra quem se deixar levar e se entregar.

Páginas: 180 Editora: Biruta Nota: ★★★★★


Resenha: Fuja, Coelhinho, Fuja – Barbara Mitchelhill

Em 01.02.2016   Categoria: Resenhas

Fuja, Coelhinho, Fuja Apesar da capa toda desenhada, um título um tanto quanto infantil e por ser narrado por uma criança de 11 anos, a história desse livro é extremamente adulta, madura e sofrida. Narrado por Lizzie, o livro nos mostra, baseado em fatos reais, parte do terror da Segunda Guerra Mundial e como as crianças são impostas a entender tudo o que está acontecendo e, com isso, amadurecer rapidamente.

Lizzie passa a viver com seu irmão mais novo, Freddie e seu pai, William, após a loja de sua mãe ter sido bombardeada acidentalmente pelos alemães na cidade de Rochdale, Inglaterra, e matá-la. Por questões ideológicas agravadas após esse acidente, William decide que não irá para a guerra, tornando-se um pacifista procurado pela polícia. A única maneira de ficar junto a seus filhos (e não ir para a prisão), é fugindo – exatamente o que eles fazem durante uma madrugada e vão parar em Whiteway, para morar com um amigo, Arthur.

William procura trabalhos temporários para se manter na cidade e alerta Lizzie e Freddie para não saírem muito da casa, para não levantarem suspeitas e acabarem sendo denunciados para a polícia. Sendo assim, os dois têm aulas particulares e não fazem muitas amizades, mas têm o conforto de estarem todos juntos… Por um tempo.

Quando tudo estava se ajeitando, Lizzie estava com uma boa amizade com Bernardo, eles precisam fugir novamente. Com a ajuda da mãe de Bernardo e professora de Freddie, eles acabam chegando a uma fazenda em que o dono conseguiria um trabalho para William em troca de estadia. Mas não é nenhum mar de rosas para nenhum dos três: todos recebem atividades, até mesmo Freddie e são maltratados pelo senhorio – apesar da esposa deste tentar amenizar as coisas, quem tem a última palavra é sempre ele.

Além de todos esses empecilhos, tem um ainda maior que é o rigoroso inverno do Reino Unido – as atividades realizadas ao lado de fora da fazenda se tornam mais complexas e quaisquer fugas se tornam impossíveis ou demoradas. William não tem muitas alternativas e acaba aceitando ficar um bom tempo na fazenda, sempre com o consolo de que está junto a seus filhos e não atrás das grades. É claro que nem tudo é suportável e eles acabam fugindo novamente, tentando procurar um lugar melhor (ou menos pior) para ficar.

A Guerra continua acontecendo enquanto eles ficam para lá e para cá e é por isso que William está sempre sendo procurado pela polícia – eles ainda precisam dele e ele continua se recusando… É incrível ver o que um pai está disposto a passar para ficar junto de seus filhos e protegê-los, mas não é nada fácil ler isso através das percepções de sua filha – que, apesar da pouca idade, tem grandes responsabilidades e é bem madura – sabendo no fundo que tem sempre que proteger o seu irmão, aconteça o que acontecer.

A história segue na linha de fugas, dificuldades, compaixão e fraternidade e é bela do início ao fim, apesar dos terrores constantes. A autora conseguiu descrever muito bem todos os sentimentos da época através de uma criança, sem deixá-la infantil. A diagramação e ilustrações completam a história de forma magnífica e limpa – além da canção “Fuja, Coelhinho, Fuja” ser a trilha sonora das fugas das personagens, cantada por Freedie.

Fuja, Coelhinho, Fuja – Run Rabbit Run
Páginas: 236 Editora: Biruta Nota: ★★★★☆

Aviso legal: Livro participante do Book Tour organizado pela Editora Biruta.


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