Resenha: Tudo o que nunca contei – Celeste Ng

Em 08.06.2017   Categoria: Resenhas

tudo o que nunca contei “Lydia está morta. Mas eles ainda não sabem disso. Dia 3 de maio de 1977, seis e meia da manhã, ninguém sabe nada a não ser por este fato inofensivo: Lydia está atrasada para o café da manhã.”

É com esta frase que iniciamos a leitura de Tudo o que nunca contei e conhecemos a família Lee. Estamos em Ohio, Estados Unidos, em uma época de grande segregação racial: 1977. A família Lee é composta por Marilyn (americana), James (americano, porém filho de pais chineses), Nath (o filho mais velho), Lydia (a filha favorita) e Hannah (a filha-invisível).

Como você provavelmente já sabe, nesta época a sociedade era bem machista e racista. As mulheres eram criadas com a intenção de serem boas esposas e mães, somente os homens eram vistos com bons olhos no trabalho e famílias com misturas de “raças” sofriam um grande preconceito. Apesar disso, Marilyn sempre quis desviar do futuro que a mãe queria para ela: nada de encontrar um marido rico, ficar em casa cozinhando ovos de todos os jeitos ou ser uma boa mãe para seus quinhentos filhos. Ela queria ser médica e iria estudar e ralar para isso.

Bem, ao menos era o que ela pensava, até conhecer James, seu professor. A paixão foi tão instantânea que Marilyn acabou engravidando e casando-se com James – enfrentando todos os preconceitos e rejeições, inclusive de sua mãe. Precisando cuidar de uma criança, Marilyn acabou deixando os estudos de lado e passou a ser “dona de casa”. Logo em seguida veio Lydia e, com o falecimento da mãe de Marilyn, ela voltou a pensar em muitas coisas do passado que ela acabou deixando para trás para conviver com a sua família.

A narrativa não segue uma linha do tempo, em uma página estamos vendo o desenrolar do mistério da morte de Lydia e na seguinte somos jogados de volta ao passado para entender como tudo começou – o que ajuda a desvendar os segredos e sentimentos de Lydia, mesmo quando ela ainda não era nem nascida. Acontecimentos do passado são relatados por todos os integrantes da família, de James a Hannah, e vamos montando um quebra-cabeça para conhecer a história de Lydia, que não teve a chance de se apresentar para o leitor.

Fica muito clara a obsessão de James e, principalmente, de Marilyn sobre a Lydia. A mãe quer que a filha seja o que ela não conseguiu ser, que seja diferente dos padrões, inteligente, tenha uma carreira e seja a melhor de todos. James quer que ela seja popular, para provar que não importa se é americano puro, sino-americano ou o que quer que seja – ele sabe que ela é uma menina doce e sua ascendência não será um empecilho para todos gostarem dela.

Mas livros de presente, notas máximas nas provas e telefonemas falsos dos amigos não fazem com que Lydia se sinta feliz e enturmada. Jack, colega de classe e vizinho, até tenta entrar na vida dela, mas precisa ter muito cuidado ao se aproximar com Nath por perto. Jack é um caso de amor e ódio, em momentos você o admira e em outros tem vontade de dar uns bons tapas, mas ele tem um papel muito importante na história toda. Aliás, será que ele poderia estar envolvido com o incidente da morte de Lydia?

O lado “policial” da trama não é muito explorado, uma vez que a intenção aqui é mostrar realmente o lado familiar – então não espere nenhum thriller ou mistério policial, porque não é nada disso. O livro é totalmente voltado para o drama familiar, a influência de escolhas e o quanto as aparências nem sempre são o que parece.

Tudo o que nunca contei – Everything I never told you
Páginas: 304 Editora: Intrínseca Nota: ★★★★☆

Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o site Livros em Série.


Resenha: Excesso de luz – Christian McKay Heidicker

Em 18.05.2017   Categoria: Resenhas

excesso-de-luz No dia 24 de abril tivemos o lançamento de “Bem-vindo à vida real”, livro de Christian McKay Heidicker, publicado no Brasil pela editora Intrínseca. Como presente aos leitores, a editora disponibilizou gratuitamente um conto do mesmo autor em formato digital para conhecermos a escrita dele. Com apenas 40 páginas, Excesso de luz traz uma leitura agradável e rápida, no estilo “passatempo”.

Apesar da menção de semelhanças com Stranger Things, sinceramente não encontrei nenhum “toque” do seriado nesta leitura. Nas poucas páginas do livro conhecemos três crianças: Jo, Liza e Isaac, que moram em Weeping Fig Way, na mesma rua dos C. A casa dos C. tem passado por algumas mudanças nos últimos tempos e aparentemente apenas as crianças têm notado esse fato. A lateral da casa estava coberta com plástico brilhante, todos os adornos da construção haviam sido removidos e até os arbustos e árvores haviam sido cortados.

Ao comentarem com seus pais, os três foram ignorados e resolveram por conta própria descobrir o que estava acontecendo por ali. Ao observarem a casa através da cerca, veem uma estranha criatura com roupas esquisitas saindo da casa e deixando a porta aberta: é a oportunidade perfeita para entrar e bisbilhotar o que acontece naquele estranho lar.

A casa possuía de tudo. As mais diversas bugigangas, trazendo culturas de todos os lugares do mundo. Ficaram maravilhados pelo que estavam vendo, até que a tal criatura estranha que havia saído da casa retornou: era apenas uma senhora, a sra. C. Com toda a curiosidade que eles tinham, começaram a disparar perguntas para a senhora para entender o que se passava por ali, porque ninguém nunca a via, o porquê de ter tantas coisas espalhadas pela casa e tudo mais.

É durante esta conversa que entendemos as mudanças que estavam acontecendo na casa e que todos podiam ver pelo lado de fora. As crianças acabam ficando bem intrigadas e vão tentar intervir no que está prestes a acontecer… Mas é óbvio que eu não vou contar, né?

Como disse, o livro tem apenas 40 páginas e é um passatempo bem agradável. Em apenas “uma sentada” você consegue ler a história toda e participar dessa pequena aventura com as crianças. Ele deixa um gostinho de “quero mais” e facilmente poderia ter uma continuação.

Ah, a história deste conto não tem relação nenhuma com o livro “Bem-vindo à vida real”, ok? É apenas um presente/ação da editora para conhecermos o escritor – que, aliás, possui uma ótima escrita, sempre deixando aquela vontade de virar a página para devorarmos a história toda.

#DICA: Você pode encontrar os links para baixar gratuitamente o ebook deste conto na página da Intrínseca.

Excesso de luz – An Excess of Light
Páginas: 40 Editora: Intrínseca Nota: ★★★★☆


Resenha: Muncle Trogg: o menor gigante do mundo – Janet Foxley

Em 02.02.2017   Categoria: Resenhas

muncle trogg - menor gigante do mundo Minha primeira resenha do ano será de um livro infantil que estava criando pó na estante desde 2014, simplesmente porque eu compro livro demais e acabo deixando vários de lado. Nenhum motivo aparente me levou a deixar Muncle Trogg tanto tempo lá, mas graças ao desafio de leitura do Livros em Série, finalmente tive a oportunidade de lê-lo.
O tema do mês de janeiro era exatamente sobre ler algo parado há muito tempo na estante e, como fui viajar, queria algo leve durante os passeios – Muncle Trogg, o eleito!

Muncle Trogg – o menor gigante do mundo é o primeiro livro da série (infelizmente só dois, de três, foram lançados no Brasil até o momento) e nos traz a história do mundo dos gigantes – mais especificamente de Muncle, o gigante mais baixinho da comunidade. Seus pais e irmãos têm a estatura comum de um gigante, porém algo aconteceu com Muncle e ele não cresceu nadinha. Obviamente que isto é motivo de zoação na escola e na própria casa, o que faz com que ele nem frequente muitas aulas e não tenha ideia de como arranjará emprego se seguir nesse ritmo.

A família dos Trogg é composta por Muncle, seu irmão mais novo, Gritt, sua irmã mais nova, Flubb, seu e sua . Os Trogg são bem pobres e Pá possui três empregos para tentar trazer algo para a mesa todos os dias – não é fácil saciar a fome de um gigante!

Uma coisa que você precisa saber sobre este mundo dos gigantes é o medo que eles têm dos Pequenotes (aka: nós, humanos). Há uma lenda de que os Pequenotes possuem dons de mágica e podem destruir todos os gigantes – então eles vivem em um local afastado chamado Monte das Lamentações. Só que Muncle é fascinado pelos Pequenotes e tem até um esconderijo secreto que acaba levando para a vila deles.

Inclusive, a matéria de estudos sobre Pequenotes é uma das únicas em que Muncle se dá bem. E é durante uma excursão para o Museu Real com a turma da escola que ele conhece o senhor Biblos, o Sábio Homem do Conselho do Rei, o mais esperto entre todos os gigantes. É ao ver Muncle que Biblos pede a ele que vista algumas roupas que pertenciam aos Pequenotes, e que hoje ficam no museu, para que a turma tenha uma ideia mais concreta de como eles são.

Muncle acaba ficando ainda mais fascinado pelos Pequenotes e, em uma conversa com Biblos, decide que durante o aniversário do Rei ele irá realizar uma performance como se fosse um verdadeiro Pequenote. Com isto, ele fica com as roupas do museu – com o dever de cuidar muito bem delas e aproveita para dar uma escapada para a vila de Pequenotes próxima ao Monte. Porém, assim que ele encontra com a primeira Pequenote, Emily, ele não consegue deixar de reparar que eles não têm nada a ver com o que ensinam na escola – muito menos são parecidos com ele, apesar da altura.

Como ele não pode contar para ninguém dessa sua descoberta, Muncle continua vagando invisivelmente pela rotina dos gigantes; até que sua vida finalmente começa a fazer sentido. Gritt, durante uma aula, acaba perdendo Snarg, o dragão (propriedade da escola), e Muncle precisa usar a sua inteligência para recuperá-lo e fazer com que seu irmão não seja expulso.

É exatamente durante seu contato com Snarg que ele começa a perceber quão especial e inteligente ele é e que sua altura não pode diminuí-lo perante a comunidade. Contrariando a tudo e a todos, Muncle será a peça essencial para livrar os gigantes de uma invasão de Pequenotes e será recompensado com um cargo muito importante, junto à família Real.

Muncle nos mostra que não tem problema algum ser diferente; muito pelo contrário! Você pode até se destacar perante aos demais e se dar muito bem.

A história “não termina” e deixa espaço para o próximo volume (que pretendo não demorar muito para ler). Estou curiosa para saber o desenrolar da história e se Muncle continuará ajudando os gigantes com a sua sabedoria. E é claro que quero rever os Pequenotes, acredito que Muncle tenha algum plano para fazer com que eles vivam juntos – ou algo nessa linha.

Destaque para a diagramação e as ilustrações que dão um toque a mais para a leitura. Diversas páginas trazem figuras dos gigantes, dragões e das comidas estranhas que são descritas durante a história. Com certeza o público alvo (diria algo em torno de 7 a 11 anos) irá se divertir com todas essas distrações que complementam o livro.

Muncle Trogg: O menor gigante do mundo – Muncle Trogg
Páginas: 224 Editora: Intrínseca Nota: ★★★★☆


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