[BEDA] Resenha: PAX – Sara Pennypacker

Em 16.08.2017   Categoria: BEDA, Resenhas

Eu namorei Pax por tanto tempo por conta da capa e edição dele que fiquei super feliz quando ganhei de amigo secreto no final do ano passado. É claro que aquele problema de julgar pela capa estava presente, mas ainda bem que a história segue muito bem o que o exterior tenta representar. O resultado foi uma leitura super rápida e agradável.

Pax nos traz a história de Peter e sua raposa de estimação, Pax. Logo de início nos deparamos com a separação dos dois: Peter é obrigado pelo pai a abandonar Pax no meio de uma estrada. O pai de Peter foi convocado a cumprir os deveres militares durante a guerra e terá que deixar seu filho com o avô – que não aceitaria uma raposa juntamente com o neto. Peter não entende muito bem o porquê de deixar Pax para trás, mas obedece o pai uma vez que não tem muitas escolhas.

Logo que o carro começa a se afastar da raposa, Peter já se sente muito mal pelo que fez. Como Pax, uma raposa que viveu 5 anos dentro de uma casa, sobreviverá na natureza, sem saber se defender, comer sozinha ou qualquer outra coisa? Pax também não tem ideia do que está acontecendo e fica sentado na beira da estrada aguardando o retorno de Peter para voltar para casa. Só que isso não acontece e Pax precisa entrar no bosque para procurar algo para comer, já que algo muito estranho está acontecendo dentro da sua barriga (aka: fome).

Do outro lado vemos Peter sofrendo com a ausência de Pax e com o peso na consciência de tê-lo abandonado. É então que ele decide fugir da casa do avô e ir atrás de seu melhor amigo. Peter refaz o caminho que fez com seu pai na ida até a casa do avô e está determinado a voltar ao ponto da estrada em que deixou Pax. Não é uma tarefa muito fácil, são mais de 400 quilômetros de distância e Peter tem apenas 12 anos e nenhum preparo físico ou mental pelo que poderia enfrentar.

Em certo momento Peter se machuca e acaba entrando na casa de Vola, uma senhora um tanto quanto estranha, ex-combatente, que tem muito a ensinar a ele. É com muita relutância que ela acaba se afeiçoando pelo menino e o ajuda a se recuperar para seguir seu caminho atrás da raposa. Essa parte do livro é muito interessante pois conhecemos o passado de Vola e a sensibilidade de Peter ao tentar mostrar a ela que todos merecem uma segunda chance e que a vida não pode acabar no meio dela.

Dentro da floresta Pax conhece Arrepiada e Miúdo, duas raposas que não querem se aproximar muito de outra que tem cheiro de humano, mas que acabam precisando se unir para sobreviver aos perigos da natureza e também dos humanos que se aproximam por conta da guerra.

O livro é narrado em terceira pessoa com os capítulos alternado entre Peter e Pax, mostrando o mesmo objetivo deles: se reencontrarem enfrentando o que for preciso e necessário, seja aprender a sobreviver no mundo selvagem ou andar diversos quilômetros com o pé machucado.

Diversos obstáculos aparecem durante esse caminho todo e ficamos com o coração na mão a cada situação perigosa que tanto Peter quanto Pax passam, sempre querendo que o final seja o melhor possível; que o reencontro aconteça, que os dois possam superar juntos o tempo que passaram longe um do outro e que a guerra acabe sem maiores estragos. Mas no fundo sabemos que nada disso pode acontecer e o final pode ser totalmente ao contrário do que desejamos.

Seja qual for o desfecho, a história como um todo é maravilhosa e nos encanta principalmente por mostrar um lado humano e inocente e também os malefícios que uma guerra trás, não somente a quem participa dela, mas a todos que ela atinge direta ou indiretamente. A visão de Pax também nos encanta; mesmo sendo um animal, ele tem sentimentos totalmente humanos e compreensíveis e nos mostra uma ingenuidade admirável.

É uma leitura mais voltada para o público infanto-juvenil, mas na minha opinião consegue agradar a todos os públicos principalmente por conta da lição que há por trás de toda a história e a demonstração de amor e amizade entre um adolescente e um animal de estimação. Leitura mais do que recomendada e que entrou para a lista dos preferidos do ano.

PAX
Páginas: 288 Editora: Intrínseca Nota: ★★★★★

beda


[BEDA] Resenha: Antes que eu vá – Lauren Oliver

Em 08.08.2017   Categoria: BEDA, Resenhas

antes que eu vá Que decepção finalizar um livro depois de tanto tempo esperando pela sua leitura achando-o bem ruinzinho. Desde que ele foi lançado eu tive vontade de lê-lo e, quando o dia chegou, demorou a passar para que eu finalizasse e me decepcionasse bastante. Não me levem a mal, talvez se eu tivesse lido na época em que realmente queria, eu teria achado um pouco melhor, mas como minha cabeça já mudou um pouco desde então, achei fútil e inútil. Sim, curta e grossa, desculpem haha

Antes que eu vá nos apresenta a protagonista Samantha Kingston. Jovem perfeitinha e popular do colégio, ela é aquele tipo de menina que infelizmente, já estamos acostumadas a encontrar em diversos dramas e comédias norte-americanos: acompanhada por algumas outras amigas populares – Lindsay, Elody e Ally – tem aquele jeito maldoso e a costumeira mania de praticar bullying com os outros.

Nos encontramos no dia 12 de fevereiro e hoje é o dia da morte de Sam, mas ela ainda não sabe disso. Após um dia cheio de anseios (é hoje que ela finalmente vai transar com o namorado e deixará de ser virgem!), depois de receber diversas rosas pelo dia do Cupido e de ir a uma festa em que coisas estranhas acontecem, ela irá morrer em um acidente de carro junto a suas três melhores amigas. O problema é que algo muito estranho acontece após a temida morte: Samantha acorda no dia seguinte, mas não é o dia seguinte. É exatamente o mesmo dia 12 de fevereiro. Ela passa o dia estranha, tentando entender o que está acontecendo, acreditando que o dia anterior foi apenas um sonho, mas quando o final dele é exatamente o mesmo, ela começa a entender que está presa nele (dia da marmota, sim).

Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo que você pode se banhar nele, girar, deixar correr como moedas entre os seus dedos. Tanto tempo que você pode desperdiçar. Mas para alguns de nós só existe hoje.

Sam tenta entender o que está acontecendo e o que pode fazer para tentar mudar o final dessa história. Ela então tem 7 dias “repetidos” para tentar mudar o que aconteceria durante ele para tentar entender porque ainda está presa aqui no mundo. O problema é que ela demora demais para perceber o que deveria fazer e isso começou a irritar um pouco durante a leitura.

É claro que ela vai percebendo o que era óbvio: ela e as amigas são más até demais com diversas pessoas e ela nem ao menos sabe o porquê disso. Durante esses 7 dias ela vê uma oportunidade de conhecer melhor algumas outras pessoas do colégio e tentar mudar o rumo do dia. Um dia ou outro até é legal de acompanhar, principalmente os que envolvem Kent (eu gostei bastante dele!), mas outros são repetitivos e não dá para ver onde a autora quer chegar mostrando somente o lado “bullying” da história.

A história é narrada em primeira pessoa e isso facilita um pouco a fluidez, porém é meio chato acompanhar uma personagem fútil e a babação toda que ela tem pelo namorado nada romântico/legal. Dá vontade de dar uma boa sacudida nela para fazê-la enxergar o que aparentemente ela não vê de forma alguma. O lado bom é que conforme os dias vão passando/se repetindo, ela começa a mudar um pouco e ser mais humilde – talvez assim ela consiga entender o que precisa fazer para “descansar em paz”.

O livro no geralzão não é tão ruim, mas achei bem fútil e mais do mesmo. Quantos livros temos de grupinho de meninas malvadas que praticam bullying no colégio? Apesar da premissa ser interessante, a autora pecou na repetitividade e na construção fraca de diversas personagens. Eu reduziria bem as páginas, mas tentaria montar um enredo melhor para cativar os leitores, que seria mais certeiro.

Após ler o livro, fui assistir o filme e a decepção foi maior ainda. Além de terem mudado alguns dos melhores elementos do livro, as atuações são péssimas e dá vontade de chorar de tão ruim que o longa é. Eu dormi em duas das vezes que tentei assistir inteiro – quase demorei a mesma quantidade de dias repetitivos da Sam para finalizar HAHAHA

Antes que eu vá – Before I fall
Páginas: 360 Editora: Intrínseca Nota: ★★★☆☆

beda


Resenha: Tudo o que nunca contei – Celeste Ng

Em 08.06.2017   Categoria: Resenhas

tudo o que nunca contei “Lydia está morta. Mas eles ainda não sabem disso. Dia 3 de maio de 1977, seis e meia da manhã, ninguém sabe nada a não ser por este fato inofensivo: Lydia está atrasada para o café da manhã.”

É com esta frase que iniciamos a leitura de Tudo o que nunca contei e conhecemos a família Lee. Estamos em Ohio, Estados Unidos, em uma época de grande segregação racial: 1977. A família Lee é composta por Marilyn (americana), James (americano, porém filho de pais chineses), Nath (o filho mais velho), Lydia (a filha favorita) e Hannah (a filha-invisível).

Como você provavelmente já sabe, nesta época a sociedade era bem machista e racista. As mulheres eram criadas com a intenção de serem boas esposas e mães, somente os homens eram vistos com bons olhos no trabalho e famílias com misturas de “raças” sofriam um grande preconceito. Apesar disso, Marilyn sempre quis desviar do futuro que a mãe queria para ela: nada de encontrar um marido rico, ficar em casa cozinhando ovos de todos os jeitos ou ser uma boa mãe para seus quinhentos filhos. Ela queria ser médica e iria estudar e ralar para isso.

Bem, ao menos era o que ela pensava, até conhecer James, seu professor. A paixão foi tão instantânea que Marilyn acabou engravidando e casando-se com James – enfrentando todos os preconceitos e rejeições, inclusive de sua mãe. Precisando cuidar de uma criança, Marilyn acabou deixando os estudos de lado e passou a ser “dona de casa”. Logo em seguida veio Lydia e, com o falecimento da mãe de Marilyn, ela voltou a pensar em muitas coisas do passado que ela acabou deixando para trás para conviver com a sua família.

A narrativa não segue uma linha do tempo, em uma página estamos vendo o desenrolar do mistério da morte de Lydia e na seguinte somos jogados de volta ao passado para entender como tudo começou – o que ajuda a desvendar os segredos e sentimentos de Lydia, mesmo quando ela ainda não era nem nascida. Acontecimentos do passado são relatados por todos os integrantes da família, de James a Hannah, e vamos montando um quebra-cabeça para conhecer a história de Lydia, que não teve a chance de se apresentar para o leitor.

Fica muito clara a obsessão de James e, principalmente, de Marilyn sobre a Lydia. A mãe quer que a filha seja o que ela não conseguiu ser, que seja diferente dos padrões, inteligente, tenha uma carreira e seja a melhor de todos. James quer que ela seja popular, para provar que não importa se é americano puro, sino-americano ou o que quer que seja – ele sabe que ela é uma menina doce e sua ascendência não será um empecilho para todos gostarem dela.

Mas livros de presente, notas máximas nas provas e telefonemas falsos dos amigos não fazem com que Lydia se sinta feliz e enturmada. Jack, colega de classe e vizinho, até tenta entrar na vida dela, mas precisa ter muito cuidado ao se aproximar com Nath por perto. Jack é um caso de amor e ódio, em momentos você o admira e em outros tem vontade de dar uns bons tapas, mas ele tem um papel muito importante na história toda. Aliás, será que ele poderia estar envolvido com o incidente da morte de Lydia?

O lado “policial” da trama não é muito explorado, uma vez que a intenção aqui é mostrar realmente o lado familiar – então não espere nenhum thriller ou mistério policial, porque não é nada disso. O livro é totalmente voltado para o drama familiar, a influência de escolhas e o quanto as aparências nem sempre são o que parece.

Tudo o que nunca contei – Everything I never told you
Páginas: 304 Editora: Intrínseca Nota: ★★★★☆

Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o site Livros em Série.


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