Resenha: Vida, Caminho & Destino – Edson Luiz Pocahi

Em 23.05.2016   Categoria: Resenhas

Vida, Caminho e Destino Antes de iniciar essa resenha, devo dizer que a temática do livro é espírita, mas de uma forma bem leve, então não pare por aqui a leitura. Eu não sou espírita, porém, sou aquele tipo de pessoa curiosa que quer saber tudo o que seja possível, então, acho bem legal expandir nossos horizontes para diferentes culturas, religiões, etc. Essa é minha primeira resenha de livro aqui no blog, tentei passar o máximo da minha experiência com essa leitura e evitar os spoilers. Espero que gostem e decidam por ler o livro.

“Nasce em Rio das Pedras, cidadezinha do interior do estado de São Paulo, Roberto Vimbrand de Oliveira, ou seja, você!”

Assim começa nossa jornada pela vida de Roberto, que no caso, é interpretado por você, leitor. A história se inicia em seu nascimento, passamos brevemente por algumas fases de sua vida até chegarmos ao ponto onde você conhece Bianca, aquela que pode ser a mulher da sua vida. Vocês se conhecem na faculdade, passam a ficar mais e mais apaixonados um pelo outro. Certo dia, vocês acabam conversando sobre espiritualidade, reencarnação, etc. e fazem um pacto: quem morrer primeiro esperará pelo outro “do outro lado”.

Algum tempo depois, você e Bianca se casam, já planejam o primeiro filho num futuro não muito distante. Infelizmente, uma fatalidade acontece e acaba separando você e Bianca após apenas dois anos de casados. Você estava parado em frente à sua casa, dentro do carro, esperando o portão da garagem abrir quando é abordado por um indivíduo armado. Você tenta pegar a sua carteira, mas ele atira. Tudo fica muito confuso, você ouve um zumbido muito forte, vê o vidro do carro em estilhaços, pessoas chegando próximo ao carro. Você se aproxima do carro e vê o que temia, seu corpo já sem vida e coberto de sangue. Bianca sai e vê a cena e não consegue compreender, chora, grita, se desespera. Você tenta acalmá-la, mas ela não pode te ouvir e nem te ver.

A partir desse ponto da história, temos que tomar uma decisão importante. Ficaremos ao lado de Bianca na Terra ou faremos a passagem pelo túnel de luz? Cada decisão vai poder resultar em um final diferente para a nossa história. Como o próprio nome do livro já fala, a história é sobre vida, caminho e destino. As escolhas tomadas por nós na hora da leitura assemelham-se às nossas escolhas na vida perante as situações que nos são apresentadas e cada escolha poderá culminar num resultado diferente.

Achei muito divertida a forma de leitura, pois não nos guiamos de maneira linear, página por página, mas sim por “capítulos”. Ao final de um capítulo, você será instruído a ir para outro capítulo ou decidir, dentre dois ou mais capítulos, qual você seguirá. A leitura pode parecer meio confusa a princípio, mas eu achei a experiência muito satisfatória, uma vez que por você não terminar a história na última página do livro, você vai seguindo a história sem fazer ideia do quanto ainda falta para o fim. Eu achei que faltou um pouco mais de detalhamento em alguns pontos da história para contribuir com a ambientação do leitor, mas entendo que ficaria um livro imenso levando em conta que temos quatro finais diferentes para a história. No placar geral, Vida, Caminho & Destino vale a pena ler e reler.

Vida, Caminho & Destino
Páginas: 256 Editora: Novo Século Nota: ★★★☆☆

Aviso legal: Livro cedido pelo autor para resenha.


A tal da inconstância

Em 27.04.2015   Categoria: Crônicas

Sempre soube que nada na minha vida poderia ser premeditado, pensado, organizado… Nunca houve uma linha do tempo pra eu seguir e chegar a algum lugar. Sou inconstante. Mudo de ideia toda hora e ao mesmo tempo que quero sair da casa dos meus pais, fico correndo atrás de orçamentos pros móveis modulados do meu quarto (preciso urgentemente de uma estante e uma escrivaninha).

A tal da inconstância começou a ficar clara, pra mim, quando, voltando pra casa, dirigindo meu carro e cantando Sandy e Junior a plenos pulmões, encarei uma árvore, vi o céu azul na minha frente, enxerguei a praia bem lá na frente e senti, lá no fundo do meu peito, que eu gosto – sim – deste lugar. E que seria interessante ter um apartamento no terceiro andar de um prédio lá na orla.

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Logo eu! Eu que sempre vivi falando mal da minha cidade, vivi corrigindo a todos que me diziam que eu era capixaba – mateense (continuarei corrigindo porque sou mineira – teófilo otonense com orgulho), sempre vivi morrendo de vontade de sair daqui e morar numa cidade bem distante… De repente, esse “ódio” sumiu. Morar na praia não é assim tão péssimo. Na verdade, é até gostoso.

Há alguns anos eu dizia que jamais faria Direito porque eu gostava de ler apenas literatura e que se tivesse que me deparar com textos jurídicos, acabaria odiando tudo com muita força. Se você me perguntar o que eu tenho lido ultimamente, posso te passar uma lista de doutrinadores, uma lista de livros específicos do meu amado curso.

A inconstância pode parecer algo ruim, mas acredito que depois de 23 anos vivendo com ela ao meu lado, correndo sempre pra me alcançar, acabei aprendendo a lidar. Aprendi a não fazer mais planos (só faço pras minhas viagens e pras amadas Bienais do Livro), aprendi a não dizer que odeio ou amo algo e aprendi a tentar não falar muito do meu futuro.

O futuro é incerto. Admiro aqueles que enxergam suas metas e fazem o possível para alcançá-las. Mas acredito que se eu tivesse essa força de vontade em mim, de poder ver todo o meu futuro e vivê-lo exatamente da forma que eu sempre quis, eu não seria eu. Não aproveitaria a coisa mais maravilhosa da vida: a surpresa.

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Acordar e não saber se está sol ou se a chuva cai, chegar na faculdade e se deparar com calouros que você conhece e pensou que nunca mais veria (desejou nunca mais ver) e outros tão interessantes com quem você quer mesmo conversar e conhecer. Sair pra viajar sem fazer reserva, ter que dormir no carro por não encontrar vaga em hotel algum, se ver no meio de uma festa louca sem nem saber como foi parar ali.

É a surpresa, o inesperado, o futuro que você não pode ver, mas que acaba amando depois de vê-lo em seu presente e poder viver tudo aquilo, tendo histórias pra contar… Tendo vontade de poder voltar e fazer tudo de novo – da mesma forma.