Resenha: Primavera – Oskar Luts

Resenhas • 20.08.2014  

primavera Primavera é o primeiro e mais famoso título de Oskar Luts, autor estoniano, publicado em 1912. O livro é um clássico e muito presente na matriz curricular da Estônia. Na época em que Luts estava escrevendo o livro, a Estônia ainda estava sob domínio soviético – sendo que a revolução da independência veio em 1917.

O livro narra a rotina de crianças que estudam em uma escola paroquial dirigida por um sacristão super chato exigente. Apesar de a maioria dos estudantes dormirem na escola, eles não são tão certinhos quanto o sacristão desejaria; e é sobre isso que o livro trata: descrever atrocidades infantis e o comportamento nada correto deles.

Nossos protagonistas são Arno Tali e Teele Raja, além de Toots, que é o revoltadinho da história: sempre se metendo em confusão e enganando os outros – totalmente o oposto de Arno, que é inocente (até demais) e tem um bom coração. Já Teele é aquela menina típica da época de 1900, que vem de família rica, ajuda em casa, estuda e aguarda por um pretendente. É claro que já dá para perceber que quem tem um carinho além do normal por Teele é nosso inocente Arno. Mas esse não é o propósito da trama; ela não é nem um pouco romântica.

Os acontecimentos ao longo do livro causam um certo desconforto ao leitor por conta do distanciamento do tipo de atividades “normais” entre as crianças da Estônia com as da atualidade no Brasil: eles brigam com tamanha violência de causar espanto, além de beber vodca como qualquer adulto ou andar com armas por aí. É preciso sempre relembrar que a história se passa em outra época em meio de uma cultura totalmente diferente da nossa.

Meu maior problema com essa leitura foi a falta de um clímax… De algo que envolvesse a história toda, um começo, meio e fim. Não sei explicar, mas o livro não conta algo, ele simplesmente narra o dia-a-dia do próprio autor na sua infância. Não é de todo ruim, mas para mim não funciona. Eu preciso de algo que me prenda, além da curiosidade por conhecer um país não tão conhecido.

Claro que o ponto positivo vai para as ilustrações maravilhosas de Sandra Jávera, assim como em todos os livros da Editora Biruta que já tive contato até hoje. Sempre dão um a mais para a história e facilitam a nossa imaginação.

Primavera – Kevade
Páginas: 432 Editora: Biruta Nota: ★★★☆☆
Mais informações: Site da Biruta.


Resenha: Olho por Olho – Jenny Han & Siobhan Vivian

Resenhas • 08.10.2013  

Olho por Olho – Burn for Burn
Autoras: Jenny Han & Siobhan Vivian
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
Nota: ★★★★☆

Sinopse: Alguma vez você já quis realmente se vingar de alguém que a ofendeu? Talvez uma ex-amiga que a apunhalou pelas costas, ou um namorado traidor, ou um estúpido da escola que a humilhou desde que você era pequena… Alguma vez você já sonhou em envergonhá-lo na frente de todos? E, então, alguma vez você se uniu com outras duas pessoas para criar um elaborado esquema de destruição e revanche? A maior parte de nós não pode dizer que sim a todas essas perguntas (felizmente). Mas, certamente, todos nós somos capazes de nos identificar com muitos dos sentimentos de Kat, Lillia e Mary em Olho por Olho… No entanto, de um exercício de malícia, de uma simples brincadeira adolescente, o jogo do “aqui se faz, aqui se paga” poderá assumir proporções trágicas, em que até mesmo as leis da natureza vão se dispor, misteriosamente, a acalmar os corações ofendidos.
Deixe-se levar por uma genuína história sobre o certo e o errado, o justo e o injustificável e procure entender — se possível — os verdadeiros motivos que transformaram estas três meninas. Dramático, honesto e fascinante, este é um livro que ultrapassa todas as expectativas!

É um tanto quanto complicado quando autores resolvem se juntar para escrever um livro. Do lado da Siobhan, já li Conselho de Amiga (resenhado aqui) e não foi o melhor livro que já li na vida, mas também não foi o pior; gosto da escrita dela, o que falta é uma melhor estrutura. Já do lado da Jenny, eu tenho O Verão Que Mudou Minha Vida na lista de não lidos, então não sei muito sobre ela. Resumindo, acredito que a junção foi boa, de pontos de vistas diferentes e provavelmente escrita/estruturação também diferentes e uma completou a outra.

Olho por Olho alterna os capítulos em três visões: Lillia, Kat e Mary, sendo as duas primeiras “ex-melhores amigas” e a terceira a novata da escola. No começo é um tanto quanto difícil imaginar como as três virarão “amigas”, mas ao decorrer dos acontecimentos paralelos e uma grande ideia de Kat, ela e Lillia podem voltar a ser amigas… Ou pelo menos se suportarem.

A ideia inicial de Kat era pedir ajuda somente a Lillia, mas ela acaba encontrando Mary sentada no chão de um estacionamento perto da balsa e a oferece carona e acaba contando sua ideia a ela também: se vingar de Alex e Rennie.

Alex é um dos melhores amigos de Lillia, que Kat estava tendo um caso de verão, até vê-lo no carro com Nadia, a irmãzinha de Lillia. Lillia está p. da vida por sua irmã estar omitindo tudo isso e também por Alex estar saindo com uma garota de 14 anos… Já Rennie é a melhor amiga de Lillia, e ex-amiga de Kat, já que antigamente as três costumavam sair juntas, e Kat quer vingar-se dela.

Mary deseja entrar nessa onda de vingança aproveitando para se vingar da razão dela estar de volta à Ilha Jar: Reeve. Quando estavam na high school, Mary e Reeve moravam na Ilha Jar e iam à escola no continente, então pegavam a balsa juntos todos os dias. Mas Reeve era muito malvado com Mary e acabou dando-lhe um apelido nada legal que pegou por toda a escola. O trauma de Mary foi tão grande que ela resolveu sair da Ilha e só voltou agora, querendo mostrar para Reeve como mudou – mas ele nem repara nela e isso só a deixa mais revoltada e com vontade de fazer parte dos planos de Kat.

O desenrolar da história vem com as preparações para as vinganças, flashbacks e a história de Mary com Reeve – ah, e um outro segredinho de Mary que acredito que será melhor desenvolvido no próximo livro – que eu quero pra ontem, obrigada.

Não é uma super história de thriller, vinganças e tal, mas me vi em muitos momentos (e algumas “vinganças” haha) da minha época de colégio. É um bom livro para passar o tempo e se prender nele – eu só não li mais rapidamente por conta do TCC mesmo :/ Enfim, talvez para pessoas um pouco mais novas seja mais interessante, mas para quem tem a minha idade, não é um livro para se descartar.


Resenha: 2083 – Vicente Muñoz Puelles

Resenhas • 09.04.2013  

2083
Autor: Vicente Muñoz Puelles
Editora: Biruta
Páginas: 136
Nota: ★★★★☆

Sinopse: O fim dos livros de papel e tinta está próximo. Restarão poucos exemplares: as antiguidades valiosas ou as relíquias de família.

Verdade? Ilusão? Fantasia?

Imagine-se agora em 2083 e surpreenda-se: o livro eletrônico também não existe mais. O que restou das histórias e dos autores que admiramos? Desapareceram sem deixar vestígios? Não! Seria impossível destruir os textos que nos emocionaram, que nos fizeram viver melhor e nos tornaram mais humanos.

Não se desespere, todos sobreviveram e você poderá conhecê-los bem perto, numa viagem de turismo… no modo amplificador de inteligência. Embarque na bibliotravel.
 

Em uma época que os livros físicos estão sendo substituídos por livros digitais, mas que ainda tem pessoas resistes, é fácil não imaginá-los extintos. Mas será que em 2083 alguém ainda guardará esses livros em papel consigo? O que será da sociedade sem segurar um livro em mãos e conhecer suas histórias?

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