Resenha: Quase um romance – Megan Maxwell

Resenhas • 19.12.2016  

Se você tem entre 18 e 25 anos com certeza já leu ao menos uma fanfiction na sua vida, certo? Quase um romance poderia muito bem ser uma fanfic, uma vez que tem todos os elementos básicos de uma história escrita por “fã”: a protagonista se apaixona por alguém famoso, há diversas cenas de ciúmes e segredos, passagens com cenas “quentes” e por aí vai.
Eu não imaginava que este livro seguiria essa linha – tanto pela capa quanto pelo primeiro parágrafo da sinopse (isso serve para eu aprender a ler a sinopse inteira nas próximas vezes) e, para mim, foi um ponto negativo, já que li diversas fanfics muito bem escritas e essa história não chegou nem aos pés da maioria delas. De qualquer forma, vou tentar ser imparcial.

Conhecemos Rebecca, a protagonista da história, em um momento delicado (perda dos pais e fim de um relacionamento), mas sua vida está prestes a mudar: ela encontra um cachorrinho na rua dentro de uma caixa de pizza, tentando se alimentar, e resolve levá-lo para casa – não que vá ficar com ele, mas não pode deixa-lo ali; no dia seguinte ligaria para que o controle de animais o buscasse. Pelo menos este era o plano inicial, antes de Angela, uma amável senhora que ajudava a limpar a pouca sujeira da casa de Rebecca (e que a conhecia desde pequena), convencê-la de que o filhotinho seria uma ótima companhia e prometendo ajudá-la a cuidar de tudo enquanto estivesse trabalhando.

Falando em trabalho, Rebecca é advogada em uma empresa exportadora de tecidos e dedica muito do seu tempo a isso. Apesar de em momento algum da sinopse mencionar o lado profissional dela, é neste ambiente que passarão muitos fatos importantes para a história. É lá que conhecemos Ricardo (colega) e Cavanillas (chefe); o chefe deles é uma pessoa arrogante e super machista e desde a sua primeira aparição já não fui com a cara/jeito dele. Ele defende Ricardo o tempo todo e só reconhece o trabalho dele, sendo que Rebecca é muito mais competente. Os dois são importantes para o “clímax” da história, que, obviamente, não vou descrever aqui.

A história dá um salto básico de quatro anos após o encontro com o filhote de cachorro, que acabou sendo nomeada de Pizza, uma vez que Rebecca descobriu que era fêmea e achou o nome muito significativo. Estamos no final de ano, a época preferida de Rebecca, já que seu irmão, Kevin, vai visita-la. Kevin é super divertido e dá para entender porque Rebecca fica tão chateada por morar longe dele e também de sua irmã, Donna (outra palhaça!).

Para receber bem o irmão, Rebecca sai em busca de um presente para ele e fica encantada com uma jaqueta de couro marrom que está exposta na vitrine. É perfeita! Pena que um homem acaba sendo mais rápido que ela e pega a última peça para provar…

“— Acho que não é do seu tamanho. Nem do seu estilo.
O homem se virou, sem ter certeza de que era com ele que falavam. Olhou surpreso para Rebeca e perguntou, com um sorriso:
— Por que acha isso?
“E agora? O que eu faço?”, pensou ela, aflita.
— É que… essa cor não combina com seu tom de pele. E vai ficar pequena. De longe se vê.”

Não precisa ser nenhum vidente para adivinhar o que rola nas entrelinhas dessa conversa, né? Como estamos falando de uma ficção, não seria nenhum absurdo dizer que eles se esbarram diversas vezes e iniciam uma amizade por conta de Lorena, filha de Paul (o “homem da jaqueta”), já que em um de seus encontros ela acaba se apaixonando por Pizza.

Paul se encanta com Rebecca e até anota a placa do carro dela (alerta de psicopata!!!) para descobrir mais sobre a moça e é assim que eles vão se encontrando. Paul a ajuda quando Carla, sua melhor amiga, acaba sendo internada e precisa cuidar de sua filha, Noelia (que é sua afilhada). Rebecca se encanta por ele também ao ver todo o jeito que ele leva para cuidar de bebês/crianças.

Paul é uma graça, mas o que Rebecca estranha é todos os olhares que ele recebe, principalmente de meninos adolescentes, quando eles estão em locais públicos: até descobrir que ele é piloto de MotoGP. Como ele vive viajando por conta dos torneios mundiais, eles ficam um bom tempo sem se ver, o que faz com que acabem sentindo a falta um do outro.

O inevitável acaba acontecendo e eles se envolvem. Beijos, noites de sexo e tudo mais. O problema é que Rebecca guarda alguns segredos que não pode compartilhar com ninguém, muito menos com Paul. Obviamente que esse tipo de coisa nunca dá certo e acaba estragando o que eles têm por ela ser insegura e um tanto quanto burrinha. Paul também não ajuda em nada, já que despeja uma antiga mágoa em cima dela, sem mais, nem menos.

É nesse ponto que a história fica um pouquinho interessante, quando entra o clímax. Rola um pouco de suspense, intriga na família, pessoas do passado que reaparecem, assuntos inacabados são encerrados e tudo mais. O livro flui razoavelmente bem neste ponto – consegui ler tudo de uma vez até chegar ao fim, mas, para não criar expectativas erradas: nada de muito emocionante acontece.

A leitura é bem despretensiosa, não há “lição de vida”, nenhum super envolvimento com as personagens e nada de suspiros ou tensão demais. É uma leitura leve e sem sal, para passar o tempo e nada mais. Não conheço outros livros da autora, então não posso generalizar, mas já vi algumas resenhas com a mesma opinião que a minha, que descrevi no início: é uma fanfiction, mas daquelas fraquinhas que não agregam em muita coisa.

Resumindo: não é um livro que entraria para a minha lista de recomendação e, a partir dele, eu não leria nenhum outro título da autora.

Quase um Romance – Casi una Novela
Páginas: 232 Editora: Suma de Letras Nota: ★★★☆☆

Aviso Legal: Esse livro foi cedido pela editora responsável pela publicação no Brasil como cortesia para o site Livros em Série.


Resenha: @mor – Daniel Glattauer #DLdoTigre

Resenhas • 28.01.2014  

@mor

@mor é um livro que estava há um bom tempo na minha estante e se encaixou perfeitamente tanto no Desafio Literário do Tigre quanto no Read-A-Thon BR especial por ser um livro de leitura fácil e que fluiu muito bem. A história me agradou bastante e vou tentar contar um pouquinho aqui, mas já adianto que para entender bem o enredo, só lendo mesmo.

Em @amor conhecemos Emma Rothner, que está tentando cancelar a assinatura de uma revista e acaba digitando o endereço de e-mail errado. Isso faz com que o e-mail com o pedido de cancelamento caia na caixa de entrada de Leo Leike. Após ser avisada do engano, Emma envia o e-mail para o endereço correto e fim. Bem, é isso por pelo menos 9 meses, até que Emma envia um e-mail para os seus contatos (com Leo entre eles):

Sem assunto

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
É o que lhe deseja Emmi Rothner

Dois minutos depois

Fw:

Cara Emmi Rothner, nós mal nos conhecemos ou não nos conhecemos absolutamente. Contudo, agradeço pelo seu afetuoso e muitíssimo original e-mail coletivo! É preciso que a senhora saiba: eu amo e-mails coletivos, enviados a um coletivo ao qual eu não pertenço.
Sds, Leo Leike

É com essa indignação de Leo por ter recebido um e-mail coletivo que eles começam a se falar e se conhecerem melhor.

@mor

Sim, o livro é inteiro feito das trocas de e-mails entre Emmi e Leo. Conhecemos um pouco da personalidade de ambos enquanto eles se conhecem e vemos os problemas que eles têm. Emmi é casada, tem dois enteados e vive muito bem. Já Leo acabou de sair de um relacionamento perturbado e está solteiro, mas não necessariamente procurando alguém. Eles conversam sobre isso tudo, Emmi pede para Leo contar do seu recém relacionamento terminado, fica com ciúmes quando ele se encontra novamente com a ex e até sente saudade quando ele fica muito tempo sem respondê-la.

Eis então que eles têm a grande ideia de se encontrarem, sem falarem um com o outro. Eles estipulam um intervalo de horário em um dia para ir a um café da cidade, para tentarem se reconhecer. Não, não vemos essa cena, somente o comentário sobre o dia por e-mail depois. Emmi e Leo tentando adivinhar quem era quem, no meio de tantas pessoas diferentes e possíveis – ou impossíveis. Esse desejo de se conhecerem pessoalmente vai aumentando a cada página do livro, a cada gole de vinho e whisky que tomam “juntos” ao longo da noite, mas não chegam realmente a se encontrar por medo de acabar com o encanto de quem eles são ou acham que são.

@mor

É incrível como Daniel conseguiu descrever e caracterizar os personagens através de pequenas mensagens de um para o outro, como consegui criar uma Emmi e um Leo em minha imaginação e como torci para que eles fiquem juntos, que se conheçam pessoalmente e que deem certo – apesar de em alguns momentos ficar pensando na vida de Emmi, em seu marido e filhos, em que fiquei dividida em definir se isso tudo era uma traição ou não, já que não havia, de fato, acontecido alguma coisa.

Escrever é como beijar, só que sem os lábios. Escrever é beijar com a cabeça.

@mor

Que nada! Eles estão se apaixonando a cada e-mail enviado/recebido, então, de alguma forma, acredito que seja uma traição inconsciente, mas, sinceramente, como não amar alguém que escreve tão bem e consegue fazer com que você se sinta tão bem com apenas um e-mail? Não dá para colocar toda a culpa em Emmi, afinal.

Posso ter gostado tanto assim da história por já ter passado por uma situação muito parecida e que, no final, infelizmente (ou felizmente?), não deu certo, mas torço para que com eles dê, porque não há amor mais verdadeiro do que o que começa conhecendo a pessoa como ela é, sem aparência, tiques ou cor dos olhos, apenas com a sua personalidade.

Leia, você não vai se arrepender, muito pelo contrário! Você lerá tão rápido que mal vai perceber que acabou de ler uma história tão complexa. Eu amei esse livro, pode ter sido um dos melhores que já li e mal posso esperar pela continuação (estou aceitando de presente!).

@mor – Gut Gegen Nordwind
Páginas: 184 Editora: Suma de Letras Nota: ★★★★★